Olá a todos do fórum! Desejo que todos estejam bem!
Concordo com a colega Kamille. Não acredito que a escola, a universidade ou os professores desaparecerão, mas sim que haverá uma transformação no papel do professor. Acredito que a IA há de acelerar a passagem do professor de informador para orientador. Em especial no que diz respeito à profusão de informações na Internet, será necessária a figura de uma pessoa que seja capaz de nos orientar as possibilidades e impossibilidades da IA dentro do debate acadêmico.
Ferramentas que convencionamos chamar de IA hoje como o ChatGPT, o DeepSeek e o Gemini são, na verdade, os famigerados Grandes Modelos de Linguagem (LLM, de “Large Language Models” em inglês). Quando fazemos uma pergunta a essas ferramentas, na verdade estamos criando um algoritmo de busca dentro de um gigantesco banco de dados. A resposta que recebemos nada mais é do que aquilo que a ferramenta considera a resposta estaticamente mais provável de acordo com consulta a esses bancos de dados. Evidentemente, que isso tende à difusão de narrativas únicas na sociedade. Por essa razão, o papel do professor como orientador é essencial para que não caiamos no erro de pensar que a verdade é uma só e para que sejamos capazes de pensar criativamente para além do algoritmo e propor novos modelos epistemológicos. Afinal de contas, a IA não produz nada de novo, mas apenas reproduz a resposta estatisticamente mais provavelmente de acordo com o banco de dados que possui.
A disputa geopolítica por essas ferramentas tem relação justamente com esse poder de narrar uma pretensa única verdade que essas ferramentas detêm. Por exemplo, se perguntarmos ao ChatGPT, uma ferramenta estadunidense, sobre a questão de Taiwan, a resposta será uma, e, se fizermos a mesmíssima pergunta ao DeepSeek, uma ferramenta chinesa, a resposta será outra. Reitero: a disputa geopolítica por essas ferramentas tem como objetivo propagar uma visão de mundo como a única possível. Por essa razão, friso a importância do papel do professor como orientador diante desse novo tipo de tecnologia para que seja possível manter um ambiente de debate dentro da academia e para que não caiamos no perigo de uma história única, para parafrasear Chimamanda.
Encerro este comentário com uma curiosidade: o Brasil desenvolve uma IA batizada de Amazônia IA. Fui testá-la com o objetivo de averiguar exatamente se a ferramenta estaria sendo utilizada para fins geopolíticos, o que seria natural de se esperar. Perguntei a ela quem inventou o avião, esperando que a resposta fosse Santos Dumont. Para minha surpresa, a IA respondeu que foram os irmãos Wright. Acho que o Brasil não entendeu ainda os objetivos da corrida pela IA.