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Tópico de discussão

Tópico de discussão

por Kamille da Silva Ramos Antunes - Número de respostas: 3

Boa tarde pessoal

Sobre as questões levantadas, acho que o avanço da inteligência artificial na educação não significa o fim dos professores, mas sim uma transformação no seu papel. A IA pode automatizar tarefas administrativas, mas não substitui a capacidade humana de mediação e estímulo ao pensamento crítico. O professor continuará sendo essencial para interpretar informações, contextualizar o conhecimento e promover debates que vão além do que a tecnologia pode oferecer. Da mesma forma, a escola e a universidade não desaparecerão, mas precisarão se adaptar às novas realidades do aprendizado, combinando tecnologia e interação humana.

Portanto, reinventar a educação pelo EaD não significa abandonar as escolas e universidades, mas reformulá-las para acompanhar as mudanças tecnológicas e sociais. Penso que será necessário investir em novos métodos pedagógicos, preparar os professores para atuar nesse novo cenário e garantir que a tecnologia seja usada como ferramenta de inclusão e aprimoramento do aprendizado, desta forma o ambiente de estudo será mais eficiente e acessível para todos.


Em resposta à Kamille da Silva Ramos Antunes

Re: Tópico de discussão

por Thyago Henriques Lessa de Vasconcellos Antunes -
Olá a todos do fórum! Desejo que todos estejam bem!
Concordo com a colega Kamille. Não acredito que a escola, a universidade ou os professores desaparecerão, mas sim que haverá uma transformação no papel do professor. Acredito que a IA há de acelerar a passagem do professor de informador para orientador. Em especial no que diz respeito à profusão de informações na Internet, será necessária a figura de uma pessoa que seja capaz de nos orientar as possibilidades e impossibilidades da IA dentro do debate acadêmico.
Ferramentas que convencionamos chamar de IA hoje como o ChatGPT, o DeepSeek e o Gemini são, na verdade, os famigerados Grandes Modelos de Linguagem (LLM, de “Large Language Models” em inglês). Quando fazemos uma pergunta a essas ferramentas, na verdade estamos criando um algoritmo de busca dentro de um gigantesco banco de dados. A resposta que recebemos nada mais é do que aquilo que a ferramenta considera a resposta estaticamente mais provável de acordo com consulta a esses bancos de dados. Evidentemente, que isso tende à difusão de narrativas únicas na sociedade. Por essa razão, o papel do professor como orientador é essencial para que não caiamos no erro de pensar que a verdade é uma só e para que sejamos capazes de pensar criativamente para além do algoritmo e propor novos modelos epistemológicos. Afinal de contas, a IA não produz nada de novo, mas apenas reproduz a resposta estatisticamente mais provavelmente de acordo com o banco de dados que possui.
A disputa geopolítica por essas ferramentas tem relação justamente com esse poder de narrar uma pretensa única verdade que essas ferramentas detêm. Por exemplo, se perguntarmos ao ChatGPT, uma ferramenta estadunidense, sobre a questão de Taiwan, a resposta será uma, e, se fizermos a mesmíssima pergunta ao DeepSeek, uma ferramenta chinesa, a resposta será outra. Reitero: a disputa geopolítica por essas ferramentas tem como objetivo propagar uma visão de mundo como a única possível. Por essa razão, friso a importância do papel do professor como orientador diante desse novo tipo de tecnologia para que seja possível manter um ambiente de debate dentro da academia e para que não caiamos no perigo de uma história única, para parafrasear Chimamanda.
Encerro este comentário com uma curiosidade: o Brasil desenvolve uma IA batizada de Amazônia IA. Fui testá-la com o objetivo de averiguar exatamente se a ferramenta estaria sendo utilizada para fins geopolíticos, o que seria natural de se esperar. Perguntei a ela quem inventou o avião, esperando que a resposta fosse Santos Dumont. Para minha surpresa, a IA respondeu que foram os irmãos Wright. Acho que o Brasil não entendeu ainda os objetivos da corrida pela IA.
Em resposta à Thyago Henriques Lessa de Vasconcellos Antunes

Re: Tópico de discussão

por Maria Eduarda Silva de Souza -
Ótima colocação a dos colegas a cima! Também acredito que o papel do professor está passando por uma transformação significativa, mas sem perder sua importância essencial dentro do processo de aprendizado. Se antes ele era visto como a principal fonte de conhecimento, hoje sua função se aproxima cada vez mais da de um orientador, ajudando os alunos a navegar pelo mar de informações disponíveis e a desenvolver um pensamento crítico diante das respostas fornecidas pela IA. Como você bem mencionou, as ferramentas de inteligência artificial que utilizamos atualmente, como o ChatGPT, DeepSeek e Gemini, funcionam com base em padrões estatísticos, oferecendo respostas baseadas em probabilidades e bancos de dados preexistentes. Isso significa que elas não criam conhecimento novo, mas sim reproduzem o que já está disponível – o que pode, sim, reforçar narrativas específicas.
A questão da influência geopolítica na IA é um ponto muito interessante e reforça ainda mais a necessidade de educadores que possam incentivar o debate e a reflexão sobre múltiplas perspectivas. O risco de cairmos em uma única visão de mundo, sem questionamento, é real, e é justamente aí que a figura do professor se torna indispensável. Ele é quem pode fomentar o pensamento crítico e evitar que os alunos aceitem informações de forma passiva, independentemente da fonte. A tecnologia pode e deve ser um recurso poderoso na educação, mas seu uso precisa ser acompanhado de análise e discernimento. Achei muito curiosa sua experiência com a Amazônia IA! Esse exemplo reforça como as inteligências artificiais podem ser influenciadas por diferentes contextos e programações. Talvez o Brasil ainda esteja dando os primeiros passos nessa corrida, mas sua observação mostra o quanto é necessário entendermos que, por trás dessas ferramentas, sempre há uma intenção e um direcionamento. O desafio agora é aprender a usá-las a nosso favor, sem abrir mão do olhar humano que só um professor pode oferecer.
Em resposta à Kamille da Silva Ramos Antunes

Re: Tópico de discussão

por Wania Clemente -
Olá, Kamille, Maria Eduarda e Thiago! Ao ler as postagens, identifiquei algumas ideias centrais em comum: a transformação do papel do professor, a IA como ferramenta de apoio e não substituta, a importância do pensamento crítico, o impacto geopolítico da IA e a adaptação da educação a essa nova realidade. De modo geral, percebo uma visão otimista, porém cautelosa, sobre a presença da IA no ensino. Nos meus comentários, destaquei apenas um aspecto de cada publicação, e aproveito para parabenizar a todos pelo excelente debate.
À medida que observamos e refletimos sobre o rápido avanço da IA, nos perguntamos: como isso afetará o valor que damos ao que é genuinamente humano? Será que chegará o dia em que o erro e a autenticidade se tornarão raros e preciosos, como um produto artesanal?
No ritmo que a IA se torna mais sofisticada, somos desafiados a redefinir o valor da criatividade, da autenticidade e até mesmo do erro humano. Se antes a tecnologia era vista apenas como uma ferramenta de apoio, agora ela começa a ocupar espaços que, por muito tempo, consideramos exclusivamente humanos, como a arte, a escrita e a resolução de problemas complexos... Talvez, em um futuro dominado por conteúdos gerados por IA, o que for produzido por mãos humanas passe a ter um valor ainda maior, como um artesanato raro em meio à produção em massa. O erro, a imperfeição e a subjetividade podem se tornar elementos apreciados justamente por sua singularidade e por carregarem experiências e emoções genuínas.
Kamille, a Educação a Distância nunca teve a proposta de "reinventar a educação". Compreendo o sentido da sua afirmação, mas é importante ter cautela ao atribuir essa ‘responsabilidade’ ao ensino a distância. Essa modalidade não é uma novidade; pelo contrário, já está consolidada e continua evoluindo à medida que novas tecnologias são incorporadas ao processo educativo. Desde os cursos por correspondência até as plataformas digitais atuais, a EaD sempre buscou ampliar o acesso ao conhecimento, sem necessariamente romper com a estrutura tradicional da educação. O que acontece hoje não é uma reinvenção, mas sim uma expansão e adaptação das instituições às novas possibilidades tecnológicas. Escolas e universidades não precisam ser reformuladas do zero, mas sim integrar a EaD de forma estratégica, reconhecendo-a como parte de um ecossistema educacional mais amplo. Além disso, a EaD não substitui a educação presencial, mas a complementa, oferecendo flexibilidade e maior alcance.
A educação a distância, quando bem integrada com novas tecnologias, não significa o fim das instituições de ensino, mas uma transformação no modelo educacional. Como você ressaltou, será necessário adaptar as escolas e universidades para as novas realidades do aprendizado, combinando a flexibilidade da tecnologia com a interação humana que é vital para o processo educacional. O EaD, quando utilizado corretamente, pode democratizar o acesso à educação, tornando o aprendizado mais acessível a pessoas de diferentes contextos e localizações. O desafio atual não é reinventar, mas repensar, ressignificar e aprimorar metodologias e práticas pedagógicas, independentemente da modalidade de ensino.
Thiago, destaco um ponto interessante de sua análise ao ressaltar a influência geopolítica sobre as inteligências artificiais e o risco de essas tecnologias serem usadas para moldar ou impor uma "única verdade" conforme interesses de diferentes países ou grupos. Não descarto essa possibilidade, mas talvez a questão tenha sido simplificada ao sugerir que essas ferramentas atuam como veículos diretos de uma "história única". É inegável que os modelos de IA refletem os dados nos quais foram treinados e que esses dados podem carregar vieses históricos, políticos e culturais. No entanto, isso não significa que há sempre uma intenção deliberada de manipulação geopolítica por trás de cada resposta. Mais do que enxergar a IA como uma ferramenta de imposição ideológica, talvez o foco deva estar no desenvolvimento da capacidade crítica dos usuários.
A educação tem um papel fundamental nesse processo, não apenas ao alertar sobre possíveis vieses, mas também ao incentivar a análise comparativa de diferentes fontes e perspectivas. Afinal, a manipulação da informação não surgiu com a IA – diferentes narrativas sempre coexistiram em mídias tradicionais, redes sociais e até nos currículos ocultos escolares. 
Outro aspecto relevante que você mencionou, Thiago, é o potencial erro da IA, exemplificado pela resposta incorreta dada pela 'Amazônia IA' sobre a invenção do avião. Isso demonstra que, mesmo com vastos bancos de dados e algoritmos sofisticados, as IAs ainda podem ser imprecisas ou reproduzir informações erradas.
A tecnologia pode e deve ser um recurso poderoso na educação, mas seu uso precisa ser acompanhado de análise e discernimento.
Concordo, Maria Eduarda.  Essa abordagem educacional marca uma nova era na aprendizagem e no trabalho em ambientes colaborativos, onde a inteligência humana e o poder algorítmico se unem para criar produtos inovadores e valiosos. O objetivo principal é evitar que estudantes e educadores se tornem excessivamente dependentes da IA ao concluir seus projetos acadêmicos ou profissionais. O docente continua essencial, mas sua função vai além de apenas apontar vieses. Seu desafio é ajudar os alunos a navegar por um mundo repleto de informações diversas, desenvolvendo habilidades para interpretar, questionar e construir conhecimento de forma autônoma.
Por fim, parabéns pela troca de ideias! As reflexões que vocês trouxeram são extremamente pertinentes e tocam em um ponto fundamental: o que significa ser humano em um mundo onde a inteligência artificial está cada vez mais presente na criação e na tomada de decisões? 
Abraços, prof. Wânia Clemente