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Lição

Projetos socioambientais no território: por onde começar?

Condições de conclusão

4 - A construção de territorialidades socioambientais: um caso concreto

A partir da prática que você acabou de realizar, apresentaremos agora um caso concreto, um problema socioambiental agravado pela intensificação da atividade humana e ausência de serviços básicos, mas encontra caminhos de solução quando a comunidade se organiza.

O rio como uma escola de convivência

Pense em uma comunidade que sofre com lixo acumulado em seus espaços públicos e com a ocorrência frequente de enchentes nas suas ruas.

Imagine que essa comunidade é cortada por um pequeno rio. Durante anos, o curso d’água foi tratado como um incômodo: lixo, esgoto, mau cheiro, enchentes. Cada morador via o problema como “de alguém” — da prefeitura, do vizinho, de ninguém.

O rio como uma escola de convivência

Até que, um dia, um pequeno grupo decidiu fazer algo: esse foi o ponto de partida.

O rio como uma escola de convivência

Cinco pessoas se reuniram, depois dez, depois vinte. Vieram ideias, vontades e também divergências: um queria plantar árvores, outro fazer mutirão de limpeza, outro organizar uma feira, outro queria “esperar o governo”.

O rio como uma escola de convivência

Mas, aos poucos, entre idas e vindas, foram aprendendo a cooperar — a ouvir, discordar, decidir, tentar de novo. As diferentes ideias e sugestões foram sendo testadas de acordo com as possibilidades de cada um.

O rio como uma escola de convivência

Aos poucos, o rio foi sendo percebido como parte importante da vida de algumas daquelas pessoas, gerando identificação, pertencimento e mobilização. As ações geraram um impacto positivo na qualidade e aparência da água. A praça ao lado ganhou vida.

O rio como uma escola de convivência

Uma página nas redes sociais foi criada, a escola local foi chamada a participar, e professores começaram a se interessar em contar aquela história, mas também a se engajar. Depois veio uma universidade, que ajudou com cursos e oficinas de extensão.

O rio como uma escola de convivência

O grupo, antes isolado, começou a tecer uma rede — com o poder público, com instituições, com outras comunidades. Mas o caminho não foi linear. Houve fases de empolgação e união, mas também momentos de cansaço, desânimo e conflito. Alguns se afastaram, outros chegaram. A rede se desfez e se refez várias vezes — como uma teia que rasga e é costurada de novo. Mesmo assim, algo mudou para sempre: aquela comunidade aprendeu que cuidar do território é também cuidar das relações.

O rio virou mais que um rio. Virou um espaço de convivência e aprendizagem, um símbolo de pertencimento, um espaço político e afetivo. É nesse movimento — com suas idas e vindas, avanços e tropeços — que nasce uma territorialidade socioambiental.

Essa experiência revela que as territorialidades socioambientais começam pequenas, com poucas pessoas dispostas a agir e crescem na colaboração, enfrentando o desafio de decidir e atuar coletivamente. Frequentemente, elas dependem de redes de colaboração, que se expandem e contraem conforme as relações se fortalecem ou se enfraquecem. Elas também não atuam sozinhas ou isoladas, mas em diálogo constante com o poder público, as universidades, outras organizações da sociedade civil ou comunidades, criando pontes entre o local e o institucional. Assim, seguem transformando o território e as pessoas, fortalecendo sentimentos de pertencimento e de poder coletivo.

Essa trajetória mostra que as territorialidades socioambientais nascem quando pessoas comuns percebem que o modelo vigente não serve mais e decidem mudar, fazendo uso da cooperação, do compartilhamento de conhecimentos, recursos, mas também de esperanças.

A experiência também nos mostra que a transformação da realidade envolve aprendizados e trocas constantes — com universidades, movimentos, feiras e redes que se conectam, criando conexões entre o saber popular e o saber científico, entre comunidade e poder público.

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Você sabia que
Você sabia que

o Mapa das Periferias é um mapa interativo que nasceu para reunir informações para auxiliar na formulação de políticas públicas para as periferias no Brasil e na mobilização de iniciativas periféricas. Nele você encontra as ações do Governo Federal em diversas áreas, dados do IBGE sobre favelas e comunidades urbanas e dados inéditos do Mapeamento Popular levantados pela própria periferia.

Você sabia que
Você sabia que

o CEP, ou Código de Endereçamento Postal, é um conjunto de 8 números criados pelo Correios para organizar o espaço, identificando suas ruas, vielas, becos e edificações, com o objetivo de facilitar a localização e distribuição de correspondências. A Secretaria Nacional de Periferias, em parceria com os Correios, desenvolveu o programa “CEP para Todos” e que já está em fase de implementação em algumas comunidades periféricas. O projeto tem como objetivo garantir o endereçamento formal de favelas e comunidades urbanas, facilitando o acesso à cidadania e a serviços essenciais.

Você sabia que
Você sabia que

a Rede Nós Periféricos e a articulação Periferia no Mapa se propõem a oferecer oportunidades que visam melhorar as condições de atuação de lideranças, desenvolvimento de iniciativas ou melhorias nas comunidades; atividades que estimulam o engajamento e a conexão entre os protagonistas de iniciativas e a Secretaria Nacional de Periferias; e novidades como ações e políticas, a exemplo de editais, cursos, oficinas, mentorias ou encontros, reunidos em torno da rede e com o objetivo de fortalecer a atuação nos territórios periféricos.